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Quinta-feira, Abril 22, 2004

É isso mesmo pessoal. Dia 29 de abril, estréia no
Teatro Abril em São Paulo o musical Chicago. O musical
foi primeiramente estreado na Broadway em 1975, com direção
da lenda dos musicais Bob Fosse. Chicago viajou o mundo
até que sua história foi parar nas telas dos cinemas
em 2002. O filme ganhou mais de 30 prêmios
internacionais, além de 6 Oscars, incluindo o de melhor
filme.
Essa montagem brazuca está orçada em US$ 2 milhões.
Conta 23 atores e 14 músicos. É a história de duas
vedetes que se envolvem em crimes e acabam presas. Mas
isso não impede que elas disputem a fama das primeiras
páginas dos jornais. A fama esta que seduz as pessoas e
preenche os vazios da alma. Baseado em fatos reais,
Chicago é a história de duas mulheres que fazem de
tudo pela sua notoriedade.

Velma Kelly (interpretada por Danielle Winits) é uma
vedete no auge de sua carreira, o que a faz ser centro
de todas as atenções. Roxie Hart apenas sonha em ser
como Velma. Após uma seqüência de acasos, elas acabam
lado a lado na prisão. Encarceradas, não usam apenas o
talento dos palcos para encantar a platéia. Carisma,
ousadia, a própria história de vida e o crime são
armas usadas para fazerem delas celebridades. Nesse
contexto, surge o oportunista Billy Flynn (interpretado
por Daniel Boaventura), advogado que toma o caso das
duas belas mulheres com um único objetivo: a fama.
A direção geral é de Scott Faris e coreografias de
Gary Chryst. Os ingressos estão entre R$55,00 e
R$135,00. O Teatro Abril fica na Avenida Brigadeiro Luís
Antônio, 411
Bela Vista - Centro e as apresentações estão marcadas
para as quintas e sextas as 21h, aos sábados as 18h e
22h e aos domingos as 18h. Vamos combinar de assistir.

Uma outra curiosidade, é que um outro sucesso
internacional chega este ano aos palcos do Brasil. Com
direção de Miguel Falabella, Vera Fischer será a
estrela de 'Mrs. Robinson', que deve estrear ainda este
mês, mas no Rio de Janeiro. Dizem algumas fontes, que
com algumas cenas de nudez.
Love, Rafa!!!
Segunda-feira, Abril 19, 2004
ANOS REBELDES, de Gilberto Braga, doze anos
depois
"E se o golpe militar de 64 não tivesse acontecido?
E se a revolução sexual não estourasse? E se não
houvesse um mundo dividido em direita e esquerda? E se rótulos
como alienado, engajado, revolucionário e reacionário
jamais tivessem tido peso? E se os hippies não começassem
a usar calças jeans? E se a individualista Maria Lúcia
jamais se apaixonasse pelo idealista João Alfredo? E se
a doce burguesa Heloísa não partisse para a luta
armada? E se uma certa minissérie não fosse exibida em
1992, no momento em que os estudantes pintavam a cara para
pedir o impeachment do presidente Fernando Collor?"
Nas últimas duas semanas eu fiz uma maratona na minha
casa para rever um antigo prazer da minha vida. Lá se vão
doze anos desde que Heloisa tentou atravessar a barreira
policial em um fusca e acabou metralhada. A cena antológica,
protagonizada por Cláudia Abreu, encerrou e marcou
definitivamente na teledramaturgia nacional a minissérie
Anos Rebeldes, escrita por Gilberto Braga e
dirigida por Denis Carvalho.

Adaptada do livro 1968 ¿ O Ano Que Não Terminou,
de Zuenir Ventura, e mesclando cenas documentais com ficção,
Anos Rebeldes consolidou a aura de ¿cult¿ das minisséries
globais. Com grande apuro técnico e time de atores consagrado,
é até hoje um dos mais pedidos para ganhar reprise na
emissora e na minha opinião, é a melhor minissérie de
todos os tempos.
Poucas minisséries tiveram uma trilha sonora tão
marcante, composta por canções emblemáticas dos anos
60 e 70 ¿ "Alegria, Alegria", de Caetano Veloso,
escolhida como o tema de abertura, se tornaria, quinze
anos mais tarde, um hino das manifestações estudantis
contra o governo Collor, enquanto "Baby" de
Gal Costa e Caetano Veloso embalavam as cenas românticas.

O reconhecimento à influência exercida pela minissérie
na vida nacional veio uma década depois. Anos Rebeldes
ofereceu referências à uma geração,Jorge Bornhausen,
líder do governo na ocasião, ilustra muito bem o grau
de penetração da minissérie entre a juventude brasileira:
"Roberto Marinho acaba de dar um tiro no próprio pé".
Teria razão?
Com linguagem televisiva, mas construída com a fotografia
e o olhar do cineasta Silvio Tendler, responsável pelas
cenas semi-documentais que misturavam imagens da época
com cenas de ficção em preto-e-branco. Foi emocionante
poder ver os personagens frequentarem o Teatro Opinião,
e as dezenas de referencias teatrais do Galeno, personagem
de Pedro Cardoso. Hoje como estudante de teatro, pude
rever com outros olhos a obra.

A trama em Anos Rebeldes é dividida em três momentos distintos,
parecem até atos de uma peça: Anos Inocentes (época
das turmas e dos namoros de colégio, no início do golpe),
Anos Rebeldes (quando começam as prisões e torturas) e
Anos de Chumbo (após o AI-5, uma parcela da população
decide cair na clandestinidade e adotar a luta armada
como bandeira).
Recheada com diálogos fortes e elaborados, misturando
ficção e História, Anos Rebeldes é uma minissérie
densa para os padrões globais. Há mais choro do que
riso e não há final feliz. Pelo menos não o final
feliz que se espera. A mensagem que encerra a última
cena, Lúcia aos prantos e de costas para o sol radiante
que entra pela janela, é a de que a falta de um ideal
conduz a um vazio existencial. O sonho, por mais utópico
que seja, promove o encontro do homem consigo mesmo.
Embora não tenha conseguido mudar a ordem estabelecida,
João mantém sua integridade intacta, em meio a amigos
que venderam a alma em troca de dinheiro e status.

Heloísa (Cláudia Abreu), a menina rica que entra para
a luta armada, é responsável pela cena inesquecível
da minissérie: a sua morte, metralhada numa batida
policial. "Eu sempre quis morrer como Che Guevara,
lutando por uma causa; e, de certa forma, pude me
realizar vivendo a Heloísa, que acabou se tornando uma
heroína daquela geração. As pessoas me paravam na rua
e me cobravam uma postura política como a da personagem",
dizia a atriz.
O elenco de Anos Rebeldes contou ainda com Pedro
Cardoso, Marcelo Serrado, Débora Evelyn, José Wilker,
Bete Lago e Kadu Moliterno, além dos brilhantes
Gianfrancesco Guarnieri, Geraldo Del Rey, Bete Mendes e
Francisco Milani, que passaram pelas verdadeiras prisões
da ditadura.

Sexta-feira, Abril 16, 2004
Ariano Suassuna e a fantástica história de um grupo
de atores querendo chegar perto da lenda
Quando fiquei sabendo que o teatrólogo Ariano Suassuna
estaria em Campinas, foi impossível conter a euforia. O
fato de ter participado do episódio de "O Santo e
a Porca" em "Cacilda Becker"
(2003) era importante, mas era forte demais o fato de
poder assistir uma palestra de um Imortal da Academia Brasileira
de Letras, que mesmo próximo aos 77 anos de idade,
defende o povo e a cultura brasileira com tamanho entusiasmo.
Começava ai uma jornada, pois a "Aula Magna de
Ariano Suassuna" estava planejada como uma palestra
fechada para os alunos da FACAMP. Conseguir convites
para entrar no auditório era o primeiro passo para a
grande noite. Após algumas especulações, consegui com
meu amigo Guilherme Teixeira alguns convites.

Pronto... convites reservados, mais nada poderia
atrapalhar, certo? Errado!
Uma pequena chuva de fim de tarde, como sempre, provocou
um engarrafamento letárgico pelas ruas do centro de
Campinas. Todas as ruas com o trânsito parado, a
palestra estava marcada para as 19h e já era 19:10h,
ainda precisávamos pegar os convites no Cambuí, para
depois irmos para o auditório.
19:50h, após várias buzinadas para estressar mais
ainda o trânsito, conseguimos chegar ao "Espaço
Cultural CPFL". O lugar estava completamente tomado
pelos alunos da FACAMP e graças aos Deuses ainda não
tinham começado... chegamos a tempo.

Ariano Suassuna brilhou e nos deliciou com uma
aula-espetáculo, na qual ele expôs com alegria de
palhaço e precisão de professor suas idéias sobre
arte e cultura. Apaixonado pela cultura brasileira, sua
trajetória de Cavaleiro Andante em luta contra os
moinhos da massificação. Artista de muitos
instrumentos, Ariano é mais conhecido como dramaturgo,
sendo O Auto da Compadecida uma das peças mais
encenadas no país.
Fez uma declaração de amor à língua portuguesa e à
cultura brasileira. ¿Miguel de Cervantes, que não
falava português, classificou essa língua como a mais
melodiosa. Agradeço a Deus por ter nascido no Brasil e
falar português¿, afirmou. Suassuna defendeu a
valorização dos contrastes regionais e condenou a
pasteurização da língua, quando se mostrou indignado
a comparecer a um seminário sobre a Cultura Brasileira,
onde serviriam um "coffee break".

Expôs suas idéias sobre a revolução da informática
e embora compreenda toda sua importância, diz que até
hoje escreva a mão, onde pode ele mesmo fazer suas
ilustrações e sentir a caligrafia de suas palavras.
Citou que certa vez foi informado que os livros estavam
ultrapassados e que a televisão tinha tomado seu espaço.
Ariano perguntou "onde você viu isso?". A
resposta: "Li em um livro sobre a revolução da
televisão".
Impagável. Com uma língua pra lá de afiada,
distribuiu farpadas a qualquer banalização da cultura
brasileira e deixou bem claro que não é contra a
cultura norte-americana ou ao avanço tecnológico, mas
é contra a massificação cultural, que destrói as
origens e a riqueza das culturas regionais.
Aplaudido de pé (lógico), depois de duas horas de
apresentação, Ariano acabou sua aula e foi rapidamente
retirado do palco pelos organizadores do evento. Como
verdadeiros paparazzis, queríamos tirar uma foto ao
lado da lenda. Tentamos entrar na área reservada onde
ele estava, mas os seguranças nem olhavam para nossas
caras. Falávamos para todos que entravam "diga
para ele que somos alunos do Rubens Teixeira", mas
não adiantava nada.

O pessoal da TV Cultura, que filmaram toda a apresentação,
entravam para a área vip, pois estavam transportando os
equipamentos de gravação. Tentamos entrar junto com
eles, mas também não deu certo. Mas a espera
continuava... ficamos acampados na frente da saída,
pois uma hora ele teria que passar para ir embora.
Infelizmente foi inútil, após muito esperar o espaço
cultural ficou todo vazio e não conseguimos nada.
Bom, "nada" não! Saímos de lá com um
fortalecimento ilustre, de uma pessoa que não deu uma
aula apenas sobre suas opiniões críticas, mas que
ensinou muitas pessoas a não desistirem de suas lutas,
sejam elas quais forem.
Abraços, Rafa!
Quarta-feira, Abril 07, 2004
VERSO
x REVERSO
Em uma cena brechtiniana (ou brechtiana) as
possibilidades cênicas se multiplicam. É a
possibilidade de elaboração artística de uma
apresentação ao mesmo tempo bela e capaz de propor
discussões. O resultado, quando bem feito, transforma o
teatro em uma máquina de comunicação, que atinge não
uma avassaladora massa social como a televisão, mas sim
profundamente sensibilizadora.

O engraçado disso, é que em meio a expectativa de se
encontrar um texto ideal, surge uma peça sem título e
sem autor. Pior ainda... sem capa - como podemos comprar
um livro sem ver sua capa? - Mas nem um pouco sem
identidade.
Segundo ano... orgulhosamente... apresenta...
Domingo, Abril 04, 2004
A 40 anos atrás...
Na última quarta-feira (31 de março), completou-se 40
anos desde que os militares tomaram o poder no nosso país.
O que na época tentaram chamar de "Revolução",
depois ficou conhecido como Golpe Militar.

Pouco ouvi falar sobre a data no nosso Conservatório,
então resolvi pesquisar um pouco a respeito. Tudo começou
quando Jango assumiu a Presidência no lugar de Jânio
Quadros, que rapidamente ganhou a desconfiança dos
militares em 1961. Ex-aliado de Getúlio Vargas, ele
tinha estreitas ligações com o movimento trabalhista
(muitas vezes confundido com comunismo). Por isso,
Goulart era simpático aos grupos que pediam reformas
agrária, política e bancária. Resultado: bateu de
frente com os grupos mais tradicionais e poderosos e com
um discurso anticomunista, os militares depuseram João
Goulart em 31 de março de 1964.
Nove dias depois, o Comando Supremo da Revolução
(formado pelo Exército, Marinha e Aeronáutica) editou
o Ato Institucional nº 1, prometendo a "reconstrução
econômica, política, social e moral do Brasil".
No poder, os militares poderiam cassar mandatos ou os
direitos políticos de opositores ao regime, suspender
as garantias constitucionais, demitir funcionários públicos,
decretar o estado de sítio e enviar ao Congresso
projetos de emenda à Constituição.
O governo militar durou 21 anos e teve 8 presidentes
escolhidos pelo Congresso, que limitava-se a apoiar o
governo e a fazer uma oposição consentida. Todos as
manifestações contrárias aos militares, lideradas
principalmente pela Frente Ampla e pelo movimento
estudantil, foram duramente reprimidas. Era a chamada Ditadura
Militar.
Com o acirramento da censura militar, a dramaturgia
brasileira passa a se expressar por meio de metáforas.
Surgem diversos grupos teatrais formados por jovens
atores e diretores. Os autores são obrigados a
encontrar uma linguagem que drible os censores e seja
acessível ao espectador. Nessa fase, surge toda uma
geração de jovens dramaturgos cuja obra vai
consolidar-se ao longo das décadas de 70 e 80: Mário
Prata, Fauzi Arap, Antônio Bivar, Consuelo de Castro,
José Vicente, Roberto Athayde e Maria Adelaide Amaral são
alguns dos nomes mais badalados. Somam-se montagens
feitas em São Paulo como "Cemitério de automóveis",
de Fernando Arrabal, e "O balcão", de Jean
Genet. Nesta última, ele chega a demolir internamente o
Teatro Ruth Escobar para construir o cenário, uma
imensa espiral metálica ao longo da qual se sentam os
espectadores.

O Teatro de Arena traz para o palco os problemas
do povo em peças nacionais, escritas por revelações
como Augusto Boal, Gianfrancesco Guarnieri e Oduvaldo
Vianna Filho. O Arena faz diversas peças musicais
sobre temas históricos, a exemplo de "Arena conta
Zumbi" e "Arena conta Tiradentes".
Novamente, mudam as regras: um mesmo ator representa várias
papéis, alterando a inflexão de voz, a postura e o
figurino. De modo semelhante, o Grupo Oficina,
dirigido por José Celso Martinez Correa, põe em
cena peças sociais de autores como Brecht e monta
"O Rei da Vela", escrita em 1934 por Oswald de
Andrade, mas proibida por Getúlio Vargas na época. A
ditadura não deixa por menos: "Roda Vida",
uma das montagens do Oficina em 1968, é taxada de
subversiva, o teatro é invadido e os atores são
espancados pela polícia.
Essas montagens qualificam um movimento teatral contra o
regime militar. São textos que enfocam a repressão à
luta armada, o papel da censura, o arrocho salarial, o
milagre econômico e a ascensão dos executivos, a
supressão da liberdade, muitas vezes apelando para episódios
históricos ou situações simbólicas e alegóricas.
A primeira reação teatral ao golpe militar de 64 é Opinião,
um show de protesto que reúne ex-integrantes do Centro
Popular de Cultura, posto na ilegalidade. O espírito de
resistência e denúncia das novas condições vigentes
no país vai unir, a partir de então, a classe teatral
em assembléias, ciclos de leituras dramáticas e outras
atividades.
Com o AI-5 e a censura, os dramaturgos são obrigados a
aceitar cortes ou a apelar para expressões metafóricas
em seus textos, objetivando liberar as encenações.
Muitos são proibidos ou mutilados, conhecendo a experiência
do palco somente muitos anos após. Um exemplo é A
Resistência, de Maria Adelaide Amaral, escrita em
1975, a obra emblemática do período só é montada
cinco anos depois.
Enfocam a temática social obras como
"Botequim" e "Um Grito Parado no Ar"
de Gianfrancesco Guarnieri, "Corpo a Corpo",
"A Longa Noite de Cristal" e "Moço em
Estado de Sítio" de Oduvaldo Vianna Filho e
"Calabar" e "Gota d'Água" de Chico
Buarque.
Outra alternativa eram assuntos históricos e alegóricos
como em "Castro Alves Pede Passagem" e
"Ponto de Partida" de Guarnieri, "O Santo
Inquérito" de Dias Gomes e "Papa
Highirte" de Oduvaldo Vianna Filho. Situações
ligadas à tortura e ao exílio surgem em "Milagre
na Cela" de Jorge Andrade, "Murro em Ponta de
Faca" de Augusto Boal, "Patética" de João
Ribeiro Chaves Neto e no já citado "Fábrica de
Chocolate" de Mario Prata, textos que mesmo com
cortes e atenuações logram espetáculos de impacto.
Duas realizações coroam este movimento de resistência:
A encenação em 1979 de Rasga Coração, texto
de Vianinha, que tem de enfrentar dura e longa batalha
com a censura, sendo liberado apenas após sua morte,
tratando das lutas do Partido Comunista e a visita ao
Brasil de Augusto Boal em 1980, vivendo no exílio, com
seu Teatro do Oprimido, disponibiliza técnicas
teatrais às vítimas de situações opressivas. Tais
eventos coroam um movimento que, tendo partido do
protesto, amadurece até a defesa do direito à
liberdade de expressão.
Isso é parte da história de uma arte, que de agora em
diante será escrita por nós.

Namastê, Rafael Santin
Segunda-feira, Março 29, 2004
PETER BROOK
O Teatro existe no instante exato em que esses dois
mundos o dos atores e o do público se encontram:
trata-se de uma sociedade em miniatura, de um
microcosmos reunido toda noite dentro de um mesmo
recinto. O papel do teatro é imbuir esse microcosmo de
um ardente e passageiro sabor de outro mundo, no qual
nosso universo presente esteja integrado e transformado.

Constantemente nosso lendário Rubens Teixeira sita
em suas aulas o diretor inglês Peter Brook e
seus criativos atores Sotigui Kouyaté e Yoshi
Oida. Confesso que como iniciante no mundo teatral,
não conhecia Peter Brook e por achar que o mesmo também
poderia estar acontecendo com mais pessoas, resolvi
fazer uma pequena pesquisa sobre o encenador.
Desde que o seu primeiro livro "O Teatro e seu Espaço",
obteve repercussão mundial, o encenador inglês Peter
Brook vem redistribuindo periodicamente o conhecimento
que extrai da prática teatral. Na posição de
idealizador e orientador do Centro Internacional de
Pesquisa Teatral - um organismo com sede em Paris mas
que tem atuação esporádica nos cinco continentes - o
trabalho de Brook inclui o compromisso de difundir idéias
e métodos úteis a outros núcleos de produção
teatral.
Nascido em Londres, em 1925, Peter Brook dirigiu seu
primeiro espetáculo aos 18 anos. Aos 20 já era
conhecido como diretor de teatro dos palcos ingleses.
Sem formação acadêmica, confiou em seus instintos e
em sua incessante necessidade de descobrir novas
maneiras de interpretar.
Sua primeira formação foi em artes, na Oxford
University, onde fundou a Oxford University Fil Societ.
Brook expandiu ao máximo os limites do espetáculo
teatral. Entre suas montagens que fizeram sucesso na
chamada fase londrina do encenador estão: Marat-Sade
(1964) e Sonhos de Uma Noite de Verão (1970), comédia
de William Shakespeare na qual Brook fundiu o teatro com
artes circenses, dando início a uma tendência cujos
vestígios são identificáveis até hoje em seu
trabalho.
Em 1974, já consolidado como um dos maiores diretores
do século XX, trocou Londres por Paris. Ocupou o Théatre
des Bouffes du Nord e criou um projeto de investigação
teatral que deu início a uma nova fase de sua carreira.
Escreveu inúmeros artigos e três livros sobre teatro:
O Teatro e seu espaço, O Ponto de Mudança, A
Porta Aberta e uma autobiografia, Fios do Tempo,
todos traduzidos no Brasil.
No cinema, é autor de filmes como Encontros com
Homens Notáveis, O Senhor das Moscas, Mahabarata,
e Rei Lear. Brook também foi reconhecido por sua
direção em óperas, além de ter convivido com
importantes personalidades de sua época, como Paul
Scotifield, Jean Genet, Laurence Olivier, Jeanne Moreau
e Salvador Dali.
Outro livro, "A Porta Aberta", é o registro
dessa atuação pedagógica. Sem pretensões ensaísticas,
os três textos publicados no volume são palestras
ministradas em 1991, adaptadas para o formato editorial.
Sobrevivem na formalização textual a clareza didática
e o método indutivo dos colóquios em que o autor
descreve experiências pontuais, suas e alheias, para
extrair dos exemplos proposições gerais. Prometo que
vou tentar conseguir alguns trechos desse livro para
postar por aqui.

Terça-feira, Março 23,
2004
FEDRA de Jean Racine


Clique
aqui e veja todas as fotos da noite de hoje.
Exercício de História do Teatro sobre Jean Racine
apresentou a tragedia grega "Fedra".
Beijo a Todos,
Rafa...
Sexta-feira, Março 12, 2004
36
Heróis e Vilões na Maior Comédia de Todos os Tempos
É quase consenso entre cinéfilos e boa parte da massa
crítica que Monty Python em Busca do Cálice Sagrado
é a melhor comédia já criada em todos os tempos, pelo
menos do tipo pastelão. Eleita recentemente (atenção)
o melhor filme inglês de todos os tempos, superou clássicos
como "Laranja Mecânica" e o "Terceiro
Homem".
A história se passa durante a Idade Média, na
Inglaterra, onde o Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola
Redonda recebem a missão divina de encontrarem o cálice
sagrado. Para isso, Arthur, Sir Lancelot, Sir Robin e
Sir Galahad separam-se em grupos, e todos só se
reencontrarão perto do final. Cada grupo vive uma
aventura diferente, uma mais sem sentido que a outra,
mas todas elas renderão enormes risadas.

Os seis integrantes do Monty Python (Terry Gilliam,
Michael Palin, John Cleese, Terry Jones, Graham Chapman
e Eric Idle) fazem 36 papei diferentes dentro do filme,
além de dividirem a direção e produção, provando
enorme talento e versatilidade para o gênero como
poucas vezes se viu. Com esses elementos "Monty
Python em Busca do Cálice Sagrado" é certamente o
filme que reúne o melhor grupo de heróis e vilões de
todos os tempos.
O humor encontrado no filme, mesmo que não seja
atemporal (veja o próximo parágrafo), é ainda afiado.
O que dizer, por exemplo, da discussão entre o Rei
Arthur e um pobre e desmazelado camponês sobre
Monarquia? É um texto perfeito, aliado a um timing cômico
magistral. O filme possui uma cena memorável atrás da
outra, e há inúmeros detalhes que exigem atenção e
fazem valer uma revisitada. Cálice Sagrado é, antes de
tudo, uma comédia pastelão. A cena final é talvez a
coisa mais absurda e sem sentido já filmada dentro do
cinema, uma espécie de auto-paródia, ao mesmo tempo
que tenta criticar todo aquele modo de vida sem sentido,
até mesmo ridículo, motivado pela imensa ignorância
provida nas pessoas durante a Idade Média. A teoria,
por exemplo, de provarem que uma mulher é bruxa é ao
mesmo tempo engraçada e triste, já que a realidade não
era menos absurda.

Recentemente eu tive uma espécie de "experiência"
ao assistir esse filme com uma pessoa que não pode nem
ser cotada como parte do público casual, ou seja,
aquela que vê filmes apenas de vez em quando, dando
sempre prioridade a títulos comerciais de Hollywood ou
produções nacionais, que atualmente estão muito
populares. Meu interesse foi ver se ela acharia o filme
tão hilário quanto eu achei na primeira vez que
assisti (já que depois, como todas as comédias, as
piadas perdem a força e o filme torna-se mais divertido
do que engraçado). O resultado foi negativo: risadas
dispersas e um tanto quanto desinteressadas. Creio que,
portanto, este não seja um filme para o grande público
atual, embora ele tenha envelhecido muito bem, visto que
o tema "Idade Média" é genérico, e muitas
comédias hoje em dia são lançadas sobre ele. Mas o
ritmo não é moderno, no sentido de rápido, e as
piadas visuais não são lá muito apelativas (ainda que
sejam geniais).

Criado como uma espécie de filme de baixo orçamento,
propositalmente, Cálice Sagrado encontra soluções
muitas vezes incríveis para cenas teoricamente difíceis.
O maior exemplo é quando o grupo encontra um monstro de
várias cabeças em uma caverna, perto do final do
filme. Ao invés de tentar criá-lo na vida real, a solução
barata encontrada foi utilizar animação também
da mais barata possível para realizar a cena. Esse
artifício é utilizado várias outras vezes dentro do
filme, sempre de maneira original e bizarra (afinal,
estamos falando de um filme dirigido por Terry Gilliam).
Os efeitos especiais também são deliberadamente
baratos, como na cena (a mais engraçada do filme) do
coelho assassino, ou então na luta entre os dois
cavaleiros (a segunda cena mais engraçada do filme).
Maquetes malfeitas também foram utilizadas.

Monty Python em Busca do Cálice Sagrado está entre as
melhores e mais importantes comédias de todos os tempos
sim (nos anos 70, o grupo dominou o gênero ao lado do
diretor Mel Brooks). Com ousadia imensa para a época,
uma enorme quantidade de cenas antológicas para o gênero
e multi-interpretações geniais por parte de cada um
dos integrantes, Monty Python é certamente um filme
histórico para os cinéfilos e obrigatório para quem
ainda não o viu.
Domingo, Março 07, 2004
Pensamentos em Dias de Chuva

A algum tempo resolvi rever alguns momentos da minha
vida. esse dias chuvosos de março, assim como a canção
do maestro Tom Jobim nos faz mais reflexivos. Troquei
então as perspectivas, os olhares, os sorrisos, as lágrimas.
Resolvi sentir nova saudade de antigos momentos. No meio
de tudo isso, perdi antigos amigos e antigos amores.
Ganhei novas lembranças e recuperei alguns sonhos,
todos devidamente registrados na minha retina.
Uma vez li em algum lugar que o mais fascinante das
fotografias era o fato de podermos reter para sempre, em
uma fração de segundo, um momento qualquer que, depois
de impresso, passa a eternidade, não pertencendo a mais
ninguém. Olhar para novos antigos momentos que vi e
ninguém mais sentiu. Sempre que olho para antigas
fotografias, tenho a impressão de estar buscando alguma
coisa que se perdeu no tempo. Sinto saudade dessa alguma
coisa, assim como sinto saudade do tempo. Não gosto de
sentir saudade. Como bem disse Chico Buarque, a
saudade é o revés do parto; dói como um barco que,
aos poucos, descreve um arco e evita atracar no cais. E
por ser ela, justamente, o pior dos castigos, não quero
mais senti-la...
Decidi então romper com o esperado e fazer o novo.
Resolvi me inventar livre. Ser plural e não mais
singular. Valorizar mais o amarelo em detrimento do
azul. Estou disposto a chegar em meu extremo mais
intenso. Escancarei a janela para conseguir sentir
aquele vento gostoso que antecede a chuva desses dias. O
céu já está nublado novamente e meus pensamentos,
desconexos. Em mim, parece não haver ninguém e muitos
ao mesmo tempo. Quem eu poderia ter sido? Quem ainda
serei?
Rafael Santin
Segunda-feira, Março 01, 2004

Terminou a 76ª cerimônia do Oscar. "O Senhor
dos Anéis: O Retorno do Rei" foi o gigantesco
vencedor da noite e igualou o recorde de 11 estatuetas
de "Titanic" e "Ben Hur". Feito histórico
(e inédito), principalmente porque venceu todas as
categorias em que concorreu. O filme já é a segunda
maior bilheteria de todos os tempos, com
US$1.005.400.000,00, ficando atrás apenas de
"Titanic" com US$1.835.300.000,00.
A festa não teve grandes surpresas (eu por exemplo só
errei duas categorias no meu post anterior: Roteiro
Adaptado e Fotografia. To bem né?) e foi de certo modo
bastante tediante. A estratégia de colocar junto todas
as músicas e os prêmios de documentário, curta e
curta de animação, deixaram o meio da cerimônia
bastante sonolento. A aparição de Blake Edwards e a
magistral entrada da família Coppola foram os momentos
mais saborosos.
"Cidade de Deus" (surpreendentemente para mim)
perdeu em todas as categorias que disputou, mas isso não
diminui a grandeza, nem a importância do filme de
Fernando Meireles.
Veja os vencedores dos oito principais prêmios:

Academy Awards Winners
Melhor Filme: O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
Melhor Diretor: Peter Jackson - O Senhor dos Anéis:
O Retorno do Rei
Melhor Ator: Sean Penn, Sobre Meninos e Lobos
Melhor Atriz: Charlize Theron, Monster
Melhor Ator Coadjuvante: Tim Robbins, Sobre
Meninos e Lobos
Melhor Atriz Coadjuvante: Renée Zellweger, Cold
Mountain
Melhor Filme Estrangeiro: As Invasões Bárbaras,
do Canadá
Melhor Roteiro Original: Sofia Coppola, Encontros
e Desencontros
Melhor Roteiro Adaptado: Peter Jackson e Philippa
Boyens, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
Melhor Fotografia: Russell Boyd, Mestre dos
Mares: O Lado Distante do Mundo
Melhor Edição: James Sellkirk, O Senhor dos Anéis:
O Retorno do Rei
Melhor Direção de Arte: Grant Major e Alan Lee,
O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
Melhor Figurinos: Ngila Dickson, O Senhor dos Anéis:
O Retorno do Rei
Melhor Trilha Sonora: Howard Shore, O Senhor dos
Anéis: O Retorno do Rei
Melhor Canção: "Into the West",
Howard Shore e Annie Lennox, O Retorno do Rei
Melhor Maquiagem: Richard Taylor e Peter King, O
Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
Melhor Sonoplastia: Michael Hedges, O Senhor dos
Anéis: O Retorno do Rei
Melhor Efeitos Visuais: Jim Rygiel e Alex Funke,
O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
Melhor Edição de Som: Richard King, Mestre dos
Mares: O Lado Distante do Mundo
Melhor Filme de Animação: Procurando Nemo
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